São Paulo, 27 de outubro de 2010
Tive dois retornos muito bons sobre o texto que escrevi ontem. Um do mestre Roberto Cohen, que como já falei varia vezes, acredito que seja a maior autoridade brasileira em administração de centros de suporte. O cara é fera, mas não perde uma oportunidade de me “alfinetar” como ele mesmo diz. rsrsrsrs
Ontem após o meu post ele escreveu o seguinte: “Não gostei. Não tem nada lá!!
– EL CO”. E como não devemos desprezar nenhuma crítica que tenha o objetivo de aperfeiçoar nossos métodos, decidi escrever a segunda parte desse post. Vamos ver agora se consigo satisfazer o mestre.

Outro comentário foi feito por um grande profissional da nossa indústria, trata-se de Olympio de Menezes Neto que é da área de relacionamentos empresariais próximos da Proxis, Coloquei o e-mail dele como comentário no post de ontem, mas do texto destacam-se duas perguntas:
1. Em um processo Cliente-Fornecedor, que é de fato “o patrão”? (ou seja, quem dá as cartas, de fato?);
2. Por que, em muitas organizações, o Cliente é tão “mal-servido”? (ou seja, uma vez “conquistada a conta”, o que consegue passa a ter “sabor de favor”…).
Expressarei parte da minha opinião sobre o tema nesse post, e parte no de amanhã. Mas desde já agradeço a participação do Cohen e do Olympio. Acho que precisamos mesmo fomentar essas discussões em nossa indústria. Então, vamos lá:
Começo com a famosa frase “O cliente tem sempre razão”. Isso não é verdade, o cliente nem sempre tem razão, mas ele nunca deixa de ser nosso cliente e portanto, devemos a ele todo nosso esforço e dedicação. Mas como fazer isso sem bases específicas?
Bem, existem alguns elementos que necessariamente devem compor nossa metodologia para gestão de serviços de TI, após a estruturação das políticas e normas e do planejamento estratégico e operacional da área. Em ordem de criação, são eles:
1. Catálogo de serviço
2. Desenho dos processos (operacionais e gerenciais)
3. Documentação dos procedimentos
4. Definição dos indicadores de performance
5. Métricas de acompanhamento desses indicadores
6. Definição do modelo de monitoração dos indicadores
7. Estruturação do ferramental para sustentar os processos
8. Elaboração do plano de comunicação (marketing)
9. Criação dos futuros acordos (UCs, OLAs e SLAs)
10. Formalização dos acordos
11. Divulgação dos resultados para todos os grupos de interesse
Sem esses elementos, não é possível gerenciar de maneira eficiente e eficaz o centro de suporte ou qualquer outra área de TI, pois se somos prestadores de serviço, o mínimo que temos que fazer é conhecer e saber como funciona cada detalhe do nosso serviço.
Para responder, parcialmente, a primeira pergunta do Olympio, gostaria que considerassem que independentemente do modelo de sourcing, um centro de suporte é contratado por uma empresa (Tomador) para atender as expectativas dos profissionais que dependem da informação para trabalhar (Clientes).
Então, o primeiro passo, depois de estruturada a metodologia é definir com o tomador, qual a relação de custo benefício que ele deseja. Lembrem que a TI pode entregar serviços em qualquer nível de qualidade, tudo depende do investimento que nela seja feito. Uma vez acordado com esse tomador (que para a pergunta do Olympio é o “patrão”) ele deve comunicar aos futuros clientes quais são as limitações da TI dentro do plano orçamentário estabelecido, e colocar a TI como executor de determinadas atividades.
Em uma analogia simples, voltando ao caso da Thais, teríamos os médicos, nutricionistas, e graduados em educação física, como os tomadores. O Personal Trainer como a TI, que mostra dentro das limitações impostas pelos tomadores, o que seu aluno pode ou não fazer, e a Thais, como cliente que alcança seu maior desempenho, dentro dos conselhos do personal que são baseados nas possibilidades estudadas e definidas pelo grupo sênior. Está aí a relação!
Nós, da cadeia de suporte, existimos para disciplinar nossos clientes sobre o uso correto da informação e da infra-estrutura. E fazemos isso porque temos total domínio das nossas atividades e metas definidas pelo negócio. Esses elementos não são necessariamente de conhecimento dos clientes. Em outras palavras, por mais que “doa”, se fizermos nosso trabalho direito, eles aprenderão a utilizar a informação, os produtos e serviços de TI de forma a aperfeiçoar seus resultados e atingir as metas do negócio.
No post de amanhã, continuo respondendo as questões do Olympio.
Grande abraço a todos