São Paulo, 27 de novembro de 2009
Existem algumas coisas que por mais que nos pareçam simples, fazem uma grande diferença no relacionamento que temos com nossos clientes, parceiros, colegas e até mesmo nos nossos círculos pessoais. Por vezes, são tão sutis, que nem mesmo percebemos os pequenos desvios que elas trazem e os grandes problemas que causam.
Para o post de hoje, quero falar com vocês sobre o “não”. Uma grande quantidade das encrencas que vejo, partem da dificuldade que temos para falar não, quando necessário. E não entenda esse “não” como a negação absoluta, pois ele se disfarça em milhares de formas tentando confundir ou convencer sobre algo que não necessariamente é verdade. Querem ver um exemplo?
O responsável por um projeto, após desenhá-lo com muita cautela e preocupando-se com mínimos detalhes, vai apresentar o produto para a diretoria. Ele sabe que o tempo que estimou está adequado às atividades necessárias, assim como o orçamento, mas quando seus superiores questionam com veemência tempo e custo, imediatamente, e sem critério algum, o dono daquele projeto fantástico cede. Ele não fala o “não” que deveria.
Isso pode, e na maioria das vezes acontece, por falta de argumentos ou alternativas. Mas acontece, e não deveria. Se vocês acham que estou exagerando, no Brasil, apenas 25% dos projetos de TI são entregues dentro do prazo e 45% dentro do orçamento inicial. Não vou discutir agora, as tantas variáveis envolvidas, mas chamo a atenção para a existência do problema.
Outra máscara comum do “não” é o “eu te atendo em cinco minutinhos…”. A gente sabe que não vai atender, mas com medo de falar “não” criamos um tempo que nem sabemos de onde veio. E os nossos processos, e assim, nossos processos, metas e estrutura são arruinadas sem percebermos que o inimigo era algo tão simples, como um “não” que deveria ter sido dito no momento correto.
Vamos fazer outro exercício? Vá até uma fábrica de carros e peça para que uma deles seja produzido em metade do tempo. Eles certamente vão dizer que não, porque existem negociações e técnicas para construir um carro no menos tempo possível. Então peça para eles tirarem uma ou duas peças do carro, como os faróis ou os bancos, para agilizar o processo. Novamente ouvirá um “não”, porque os critérios de qualidade devem ser seguidos para um produto perfeito. Sei que o carro é algo tangível, diferente dos serviços, mas pense no processo. Uma cultura foi criada para que ele fosse beneficiado e reconhecido por todos. Então, por que não podemos fazer o mesmo?
Negar qualquer coisa, não é uma tarefa fácil, mas deve ser pensada com carinho, pois senão, seremos os agentes que impedem a mudança cultural que tanto queremos. Se temos a intenção de sermos reconhecidos pelos nossos méritos e ter nosso valor claro para todos os stakeholders, está na hora de começarmos a seguir linhas administrativas e exatas de relacionamento, e treinar o “não” deve estar entre nossas metas. Querem saber como fazer?
Tenha sempre em mente o bem da empresa. Conheça profundamente todos os aspectos que envolvem sua área e seus relacionamentos com as metas do negócio. Tente tratar todos os conflitos compreendendo o ponto de vista dos seus colegas. Tenha alternativas documentadas para tudo que apresentar, elas deverão ser usadas para as inevitáveis negociações. Busque acordos formais, pois eles são a base para administração das expectativas, lembre-se que nunca é pessoal, tenha argumentos prontos e baseados em políticas ou acordos, administre detalhadamente o seu orçamento e lembre-se que sua performance está sendo avaliada pela sua capacidade de gerar oportunidades para o negócio.
Não é fácil, mas dá para fazer, e dizer “não” será menos doloroso!
Um grande abraço a todos



















